Uma breve história dos Firewalls
- Felipe Prado

- 13 de jul. de 2025
- 4 min de leitura

Em um mundo cada vez mais conectado, a segurança da informação tornou-se uma prioridade estratégica para empresas, governos e usuários comuns. Na verdade costumo dizer que a cada dia a área de Segurança vem se transformando numa área de back office nas Empresas. No centro dessa proteção está uma tecnologia que, embora muitas vezes invisível ao usuário final, é essencial para a integridade das redes, pois estamos falando do chamado Firewall. Desde sua criação nos anos 1980 até os sofisticados sistemas baseados em inteligência artificial de hoje, os firewalls passaram por uma transformação profunda. Este artigo começou com uma curiosidade pessoal, mas tentei mostrar uma linha do tempo da evolução dos firewalls, destacando os marcos tecnológicos e os desafios enfrentados ao longo dos anos.
O conceito de firewall surgiu no final dos anos 1980, quando a internet não era a internet que você conhece, ainda era uma rede acadêmica e militar. A necessidade de proteger redes internas contra acessos não autorizados levou ao desenvolvimento dos primeiros mecanismos de filtragem de pacotes. Esses sistemas analisavam informações básicas como endereços IP de origem e destino, portas e protocolos, decidindo se o tráfego deveria ser permitido ou bloqueado.
Um dos primeiros firewalls comerciais foi desenvolvido pela DEC (Digital Equipament Corporation) em 1988, e era conhecido como DEC SEAL. Este sistema foi projetado para proteger redes corporativas, e introduziu o conceito de proxy, permitindo que o tráfego fosse intermediado por um sistema que validava as conexões.
Os firewalls de primeira geração, também chamados de packet filtering firewalls, operavam na camada de rede (camada 3 do modelo OSI). Eram simples, rápidos e eficientes para bloquear tráfego indesejado, mas não tinham capacidade de entender o contexto das conexões, ou o conteúdo dos pacotes. Esses firewalls eram configurados com regras estáticas, e não mantinham estado das conexões, o que os tornava vulneráveis a ataques mais sofisticados. Ainda assim, foram fundamentais para estabelecer a base da segurança de rede moderna, que você conhece hoje.
Com o aumento da complexidade das ameaças nos anos 1990, surgiu a necessidade de uma abordagem mais inteligente. Assim nasceram os firewalls de segunda geração, que introduziram o conceito de stateful inspection. Essa tecnologia permitia que o firewall monitorasse o estado das conexões, identificando sessões legítimas e bloqueando tentativas de conexão inesperadas. Essa evolução foi crucial para lidar com ataques que exploravam falhas na sequência de pacotes, ou tentavam se disfarçar como tráfego legítimo. Empresas como a Check Point Software, fundada por Gil Shwed, foram pioneiras nesse segmento. A Check Point lançou o famoso Firewall-1 em 1994.
No início dos anos 2000, os ataques começaram a se concentrar nas camadas superiores do modelo OSI, especialmente na camada de aplicação. Isso exigiu uma nova abordagem, e ai apareceram os firewalls de terceira geração, também conhecidos como Application Layer Firewalls. Esses sistemas eram capazes de entender protocolos como HTTP, FTP e SMTP, permitindo bloquear tráfego malicioso mesmo que ele estivesse disfarçado como tráfego legítimo. Um exemplo notável foi o Firewall Toolkit (FWTK), lançado em 1993, que permitia a criação de regras baseadas em aplicações.
Com o avanço da tecnologia e o aumento exponencial das ameaças cibernéticas, surgiu uma nova categoria chamada de Next-Generation Firewalls (NGFWs). Introduzidos por volta de 2008, esses firewalls combinam funcionalidades tradicionais com recursos avançados como:
Inspeção profunda de pacotes (DPI);
Controle de aplicações;
Prevenção de intrusões (IPS);
Filtragem de conteúdo;
Integração com sistemas de inteligência de ameaças
Os NGFWs operam nas camadas mais altas do modelo OSI, permitindo identificar e bloquear malwares, ransomware e ataques de phishing em tempo real. Eles também oferecem visibilidade sobre o comportamento dos usuários e aplicações, algo impensável nas gerações anteriores. Mas não paramos por ai não.
Nos últimos anos, os firewalls passaram a incorporar inteligência artificial (IA) e machine learning para detectar padrões anômalos, assim como para responder a ameaças em tempo real. Essa evolução deu origem aos chamados firewalls adaptativos, que aprendem com o tráfego de rede e se reconfiguram automaticamente para enfrentar novas ameaças. Além disso, os firewalls modernos são peças-chave em arquiteturas de segurança baseadas em Zero Trust, onde nenhum usuário ou dispositivo é confiável por padrão. Nesse modelo, o firewall atua como um orquestrador de políticas de acesso, verificando continuamente a identidade e o comportamento dos usuários.
Com a migração de sistemas para a nuvem e o crescimento do trabalho remoto, surgiu a necessidade de proteger ambientes distribuídos. Isso levou ao surgimento dos Firewalls como Serviço (FWaaS), que oferecem proteção centralizada e escalável sem a necessidade de hardware local. A tecnologia a disposição de tudo e de todos. Essas soluções são ideais para empresas com múltiplas filiais ou equipes remotas, pois permitem aplicar políticas de segurança de forma uniforme, independentemente da localização física dos usuários. Que avanço !!!
Por fim, a história dos firewalls é uma história de adaptação constante. De simples filtros de pacotes a sistemas inteligentes baseados em IA, essa tecnologia evoluiu para enfrentar um cenário de ameaças cada vez mais complexo. Hoje, os firewalls não são apenas barreiras, mas centros de controle de segurança, integrados a ecossistemas de proteção que envolvem nuvem, dispositivos móveis, IoT e muito mais. À medida que o mundo digital continua a se expandir, os firewalls seguirão evoluindo, incorporando novas tecnologias e estratégias para garantir que as redes permaneçam seguras, resilientes e preparadas para o futuro.
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